22 de fev de 2015

As lendas sobre a origem da Flor de Lótus

Flores de lótus são influentes em culturas ao redor do mundo desde os tempos antigos até a atualidade, desde o Egito e Índia antigos assim como por toda a Ásia. E é difícil encontrar um país da Ásia onde o lótus não seja considerada sagrada. Elas foram associadas com a alma humana, deuses e deusas e apareceram em histórias e lendas. Ela está bem presente na mitologia oriental, especialmente na cultura indiana, egípcia, chinesa e japonesa, onde esta flor é extremamente admirada e representada em algumas religiões como hinduísmo e budismo. Na doutrina budista, a flor de lótus é sagrada e vista como expansão espiritual, pureza, renascimento e iluminação.

Lenda da flor de Lótus no budismo
Na lenda do Budismo relata-se que quando o Siddhartha, que mais tarde se tornaria Buda, deu os seus primeiros sete passos na terra, sete flores de lótus brotaram. Assim, cada passo dele representa um degrau no crescimento espiritual.
Os Budas em meditação são representados sentados sobre flores de lótus, e a expansão da visão espiritual na meditação (dhyana) está simbolizada pela abertura das pétalas das flores de lótus, que podem estar totalmente fechadas, semiabertas ou completamente abertas, dependendo do estágio da expansão espiritual.
E no budismo, as flores de lótus significavam pureza da fala, da mente e do corpo elevando-se das águas do desejo e do apego. A lótus é um dos oito símbolos auspiciosos. Cores diferentes de lótus são simbolicamente usadas para representar aspectos da perfeição. Há quatro cores, que são rosa, azul, vermelho e branco. Vermelho representa o coração - sua pureza, natureza original, compaixão, paixão, amor e outras qualidades. Branco simboliza perfeição espiritual e total pureza mental. Rosa representa o Buda e é a lótus suprema. Azul significa sabedoria, conhecimento e vitória sobre os sentidos.



Lendas egípcias da flor de lótus 
Os egípcios usavam a flor de lótus para simbolizar o sol, o renascimento e também era símbolo do Alto Egito. Há três lendas sobre a criação que compartilham similaridades, nas quais o simbolismo da flor é expressado. Em uma das lendas, o sol nasce de uma flor de lótus que cresceu em uma inundação. A próxima lenda, originada de Heliopolis, fala que do oceano infinito de Nun, uma lótus cresceu junto a um monte de terra. A lótus floresceu e revelou o deus sol Aton. A terceira lenda, que sai de Hermopolis, difere-se da segunda lenda apenas por dizer que foi o deus Rá que saiu da lótus. Na escrita, a flor era usada para representar números. Uma lótus equivalia a 1.000, enquanto um caule com duas flores de lótus equivalia a 2.000.

Lenda da flor de lótus no hinduísmo
Na Índia, uma pequena lenda conta a historia de sua criação: Um dia, reuniram-se para uma conversa, à beira de um lago tranquilo cercado por belas árvores e coloridas flores, quatro lendários irmãos. Eram eles o Fogo, a Terra, a Água e o Ar.
Como eram raras as oportunidades de estarem todos juntos, comentavam como haviam se tornado presos a seus ofícios, com pouco tempo livre para encontros familiares. Mas a Água lembrou aos irmãos que estavam cumprindo a lei divina, e este era um trabalho que deveria lhes trazer o maior dos prazeres.
Assim, aproveitaram o momento para confraternizar e contar, uns aos outros, o que haviam construído – e destruído – durante o tempo em que não se viam. Estavam todos muito contentes por servirem à criação e poderem dar sua contribuição à vida, trabalhando em belas e úteis formas.
Então se lembraram de como o homem estava sendo ingrato. Construído ele próprio pelo esforço destes irmãos, não dava o devido valor à vida. Os irmãos chegaram a pensar em castigar o homem severamente, deixando de ajudá-lo. Mas, por fim, preferiram pensar em coisas boas e alegres.
Antes de se despedir, decidiram deixar uma recordação ao planeta deste encontro. Queriam criar algo que trouxesse em sua essência a contribuição de cada um dos elementos, combinados com harmonia e beleza. Sentados à beira do lago, vendo suas próprias imagens refletidas, cada um deu sua sugestão e muitas ideias foram trocadas. Até que um deles sugeriu que usassem o próprio lago como origem.
Que tal um ser vivo que surgisse da água e se crescesse em direção ao céu? Uma vegetal, talvez? Decidiram-se, então, por uma planta que tivesse suas raízes rente à terra, crescesse pela água e chegasse à plenitude do ar. Ofereceram, cada um, o seu próprio dom. A Terra disse: “darei o melhor de mim para alimentar suas raízes”.
A Água foi a próxima: “Fornecerei a linfa que corre em meus seios, para trazer-lhe força para o crescimento de sua haste”. “E eu lhe cercarei com minhas melhores brisas, dando-lhe minha energia e atraindo sua flor”, disse o Ar. Então o Fogo, para finalizar o projeto, escolheu o que de melhor tinha a oferecer: “ofereço o meu calor, através do sol, trazendo-lhe a beleza das cores e o impulso do desabrochar”.
Juntos, puseram-se a trabalhar, detalhe a detalhe, na sua criação conjunta. Quando finalizaram sua obra, puderam se despedir em alegria, deixando sobre o lago a beleza da flor que se abria para o sol nascente. Assim, em vez de punir o ser humano, os quatro irmãos deixaram-lhe uma lembrança da pureza da criação e da perfeição que o homem pode um dia alcançar.
Assim que os quatro elementos se separaram, a Lótus reinou no lago com sua beleza imaculada. Essa é a lenda sobre a origem desta incrível flor – pura e bela, por mais difíceis que as condições sejam e mesmo nas mais difíceis e obscuras circunstâncias.

As lótus no hinduísmo simbolizam prosperidade, beleza, fertilidade, eternidade e juventude sem fim. Como no budismo, também significa pureza e divindade. Uma lótus também é utilizada analogicamente para demonstrar qual deve ser o estilo de vida das pessoas. O Bhagavad Gita no capítulo 5, verso 1, mostra precisamente isto, com a citação: "Alguém que cumpre com seu dever sem apego, rendendo os resultados ao senhor supremo, não é afetado por ações pecaminosas, como a pétala da lótus é intocada pela água." Flores de lótus também usadas para representar chakras, ou os centros de energia do corpo.

Fonte: Japão em Foco

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