27 de jun de 2014

Ortografia - Novo Acordo Ortográfico

Para finalizar as publicações voltadas a Língua Portuguesa e Literatura (finalmente, Ufa!), irei postar as mudanças que ocorreram em relação a Ortografia. Lembrando que a mudança ocorreu somente na parte da grafia. A pronúncia e o vocabulário continuaram distintos conforme seu país/cultura.

Principais mudanças do Novo Acordo Ortográfico

TREMA ( ¨ )
O trema deixou de existir em todas as palavras da língua portuguesa, se antes você escrevia: conseqüência, cinqüenta, freqüência, agora passe a escrever sem o trema.

ACENTUAÇÃO

1.Ditongos de palavras paroxítonas -ei e -oi.
Deixaram de existir os acentos nos ditongos - o encontro de duas vogais pronunciadas em uma só sílaba, como por exemplo ideia (EI é um ditongo) - abertos de palavras paroxítonas (que possuem acentuação na penúltima sílaba) como:
moreia, europeia, paranoia, centopeia e onomatopeia, joia, estreia.

2. Hiato
Deixaram de existir os acentos circunflexos nos hiatos - uma repetição de vogais que pertencem a sílabas diferentes, como por exemplo enjoo (as sílabas da palavra são en/jo/o) - nos seguinte casos:
oo - entoo, perdoo e abençoo
ee - creem, releem e preveem

Antes/Agora = Vôo/Voo; Enjôo/Enjoo; Vêem/Veem; Lêem/Leem

3. A letra U e I tônico
A letra U e I tônica deixa de ser acentuada nas sílabas que, qui, gue e gui de verbos como apaziguar, averiguar e obliquar. Também perdem os acentos as palavras paroxítonas que têm a letra I ou U tônicos precedidos por ditongos, como a palavra feiura, baiuca, cheiinho.

Antes/Agora = Feiúra/Feiura; Baiúca/Baiuca ; Cheiínha/Cheiinha

4. Acento diferencial
Os acentos diferenciais, que são usados para distinguir duas palavras iguais com significados diferentes, como por exemplo pára (do verbo parar) e para (preposição) deixa de existir nos seguintes casos:

Para (verbo)
Pelo (substantivo) - que se diferencia da preposição pelo

Antes/Agora: Pára/Para; Pêlo/Pelo; Pólo/Polo; Pêra/Pera

*Exceção
Como toda regra há exceção, o acento que diferencia permanece em:
  • Pôde (do verbo poder no passado), que mantém o acento para se distinguir de pode, o uso do verbo no presente;
  • Pôr (verbo), que mantém o acento para se diferenciar da preposição por.

5. ALFABETO
O alfabeto brasileiro ganha mais três letras, passando de 23 para 26 letras no total. Foram incluídos o K, o W e o Y.
A inclusão das novas letras não é totalmente uma novidade para o brasileiro. Elas já eram usadas em algumas situações, como siglas ou palavras originárias de outras línguas:
Km (abreviação de quilômetro)
w (abreviação de watts)
kg (abreviação de quilograma),
Kung fu
Washington
Kaiser 
Franklyn.

6. HÍFEN
De todas as mudanças na nova ortografia, as mais complexas e onde todos estão tendo mais dificuldades é onde o hífen deixou ou não de ser usado.

Quando usar e não usar o hífen:

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.
anti-higiênico
anti-histórico
co-herdeiro
macro-história
mini-hotel
proto-história
sobre-humano
super-homem
ultra-humano

Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h).

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.
aeroespacial
agroindustrial
anteontem
antiaéreo
antieducativo
autoaprendizagem
autoescola
autoestrada
autoinstrução
coautor
coedição
extraescolar
infraestrutura
plurianual
semiaberto
semianalfabeto
semiesférico
semiopaco

Exceção: o prefixo co uni-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s.
anteprojeto
antipedagógico
autopeça
autoproteção
coprodução
geopolítica
microcomputador
pseudoprofessor
semicírculo
semideus
seminovo
ultramoderno  

Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen.
vice-rei, vice-almirante, vice-versa

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras.
antirrábico
antirracismo
antirreligioso
antirrugas
antissocial
biorritmo
contrarregra
contrassenso
cosseno
infrassom
microssistema
minissaia
multissecular
neorrealismo
neossimbolista
semirreta
ultrarresistente
ultrassom

Exceção: guarda-roupa, apesar de  terminar com vogal e o segundo elemento começar com r neste caso não se usa guardarroupa, o r não se duplica, porque guarda não é um prefixo é uma palavra, uma forma verbal e portanto, fora desta regra.

5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.
anti-ibérico
anti-imperialista
anti-inflacionário
anti-inflamatório
auto-observação
contra-almirante
contra-atacar
contra-ataque
micro-ondas
micro-ônibus
semi-internato
semi-interno

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.
hiper-requintado
inter-racial
inter-regional
sub-bibliotecário
super-racista
super-reacionário
super-resistente
super-romântico

Atenção: - Nos demais casos não se usa o hífen.

Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.
Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal.
hiperacidez
hiperativo
interescolar
interestadual
interestelar
interestudantil
superamigo
superaquecimento
supereconômico
superexigente
superinteressante
superotimismo

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen.
além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-terra

9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim.
amoré-guaçu,
anajá-mirim,
capim-açu.

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.
Ponte Rio-Niterói,
Eixo Rio-São Paulo

11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição.
girassol
madressilva
mandachuva
paraquedas
paraquedista
pontapé

12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte.
Na cidade, conta- 
-se que ele foi viajar.

PARA NÃO ESQUECER
NÃO SE EMPREGA O HÍFEN

1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se em r ou s. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: antirreligioso, contrarregra, microssistema, minissaia, etc.

2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se com vogal diferente: autoaprendizagem, hidroelétrico, plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.

3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos des- e in- e o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc.

4. Nas formações com o prefixo co-, mesmo quando o segundo elemento começar com o: coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc.

5. Em certas palavras que com o uso adquiriram noção de composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedista, etc.

6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfeito, benquerer, benquerido, etc.

Lembrando: Em outros casos se usa o hífen com o compostos com o adverbio "bem" como  é o caso de bem-vindo.

EMPREGA-SE O HÍFEN

1. Nas formações em que o prefixo tem como segundo termo uma palavra iniciada por h: sub-hepático, eletro-higrômetro, geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hospitalar, super-homem.

2. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal do segundo elemento: micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-observação, etc.

3. Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam elementos de ligação: guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira, mesa-redonda, vaga-lume, João-ninguém, porta-malas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca.

Lembrando: 
a) Não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como citado anteriormente.

b) Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de ligação: pé de moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia, fim de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa de força, cara de pau, olho de sogra.

Incluem-se nesse caso os compostos de base oracional: maria vai com as outras, leva e traz, diz que diz que, Deus me livre, Deus nos acuda, cor de burro quando foge, bicho de sete cabeças, faz de conta.

Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.

4. Usa-se o hífen em compostos que têm palavras iguais ou quase iguais, sem elementos de ligação: reco-reco, blá-blá-blá, zum-zum, tico-tico, tique-taque, cri-cri, glu-glu, rom-rom, pingue-pongue, zigue-zague, esconde-esconde, pega-pega, corre-corre.

5. Usa-se o hífen nos compostos entre cujos elementos há o emprego do apóstrofo: gota-d'água, pé-d'água.

6. Usa-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos (nomes próprios de lugares), com ou sem elementos de ligação:  Belo Horizonte = belo-horizontino; Porto Alegre = porto-alegrense; Mato Grosso do Sul = mato-grossense-do-sul; Rio Grande do Norte = rio-grandense-do-norte; África do Sul = sul-africano. 

7. Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação: Bem-te-vi, peixe-espada, peixe-do-paraíso, mico-leão-dourado, andorinha-da-serra, lebre-da-patagônia, erva-doce, ervilha-de-cheiro, pimenta-do-reino, peroba-do-campo, cravo-da-índia.

OBS.: Não se usa o hífen, quando os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas são empregados fora de seu sentido original.
Observe a diferença de sentido entre os pares: 
a) bico-de-papagaio (espécie de planta ornamental) - bico de papagaio (deformação nas vértebras). 
b) olho-de-boi (espécie de peixe) - olho de boi (espécie de selo postal).

Então, quando achamos que já aprendemos um pouco, ai vem um novo acordo ortográfico e muda muitas regras, a dificuldade maior do aprendizado da língua portuguesa é a maneira que é ensinada, pois aprendemos de forma errada, modo arcaico, assim tornado o aprendizado bem lento e complicado, mas com um pouco de esforço, e com a prática da leitura, logo logo, conseguiremos nos adaptar à nova ortografia.

OBS.: Apesar do prazo para se adequar a nova ortografia tenha sido estendido até 2016, é provável que nos vestibulares, como em muitos colégios no Brasil e no ENEM, levem em consideração a nova ortografia. Por isso, fiquem ligados, e não esqueçam de aprende-la. 

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